Love Cinema!

09/09/2019
- Por Victor Luis

LOVE CINEMA: IT: CAPÍTULO DOIS

Separar as duas temporalidades entrelaçadas do livro “IT”, escrito por Stephen King, e tentar relacionar com a do filme (dividido em duas partes pelo diretor Andrés Muschietti e o roteirista Gary Dauberman) torna-se desafiador, pois o eixo "adulto" da trama se perde totalmente com o diálogo perpétuo com a da infância. Não me delongarei a fazer o paralelo entre a obra literária de mais de 1.000 páginas com o filme de quase 3 horas, mas irei arrazoar sobre o produto fílmico.

IT: Capítulo II é parte de um projeto ambicioso da Warner, visto o maior sucesso de bilheteria com o seu antecessor IT: A Coisa (2017) que apresentou personagens infantis carismáticos e bem desenvolvidos, porém aqui é incapaz disso. A sequência ao menos apresenta novas camadas a seus personagens maduros e prefere desenrolar uma repetição do filme de 2017.

O cenário é distorcido em todas as direções, para justificar a constante separação dos personagens na pequena Derry (uma cidade assombrosa para alguns e pacata para outros); os ecos do passado espessos e lançados no primeiro longa-metragem ou até mesmo uma espécie de reciclagem narrativa. Não obstante a uma duração excessiva (em níveis sensoriais por minha parte) que sufoca a maioria dos efeitos, chegando a ser maçante ou tornando inofensivas as melhores sequências, e mais ainda, o filme encontra maneiras de maltratar seus personagens.

Felizmente, Eddie interpretado por James Ransone, é o único a se beneficiar de uma aparência similar a seu personagem infantil e emprega uma fascinante paleta de emoções; é somente nele que repousa a força das possíveis lágrimas nos últimos momentos da história. Jessica Chastain tem um carisma e um investimento que transcende a construção frívola de Beverly, enquanto James McAvoy (competente como sempre) abraça o projeto e tenta ser um Bill a altura, mas é desprovido de sua nova personalidade pelo roteiro. O resto do clube dos otários é tratado pelo cenário com total indiferença. A liderança do grupo é mantida pelo mais velho, Mike (Isaiah Mustafa), que vê seu enredo e sua personalidade transferidos mais uma vez para Bem (Jay Ryan) o mesmo que ganha bem mais do que uma mudança física em sua fase adulta como uma tentativa de segunda chance para conquistar a Beverly. E o Richer, interpretado pelo ator e comediante Bill Hader, é ainda um desdobramento para o alívio cômico, nesse caso, o falado, debochado e xingatório enquanto o Eddie é a antítese disso, voltado mais para o gestual e por suas ótimas expressões.

E enquanto ao Antagonista? Sim, o Pennywise do Bill Skarsgård retorna mais assustador e nojento (com mais babas e sua monstruosidade canibal), porém, perde parte de seu fator de causar algum tipo de “medo” ao espectador quando sua mitologia é revelada; a seção intermediária é episódica. O palhaço sobrenatural aterroriza cada um dos clubes dos otários bem formulaico; e muitas cenas de realidade que se transformam em fantasia e com um CGI nada suficiente levando em conta ao alto orçamento e fazem com que esse capítulo dois se assemelhe a “A Hora do Pesadelo” com o enigmático Freddy Krueger, especificamente o quinto que é referenciado ou homenageado nas imagens em um dos flashbacks de 1989.

O fato de praticamente boa parte do filme se elevar ao excesso de mensagens motivacionais é muito mais difícil de suportar. Além disso, você pode se assustar por alguns momentos em que o mecanismo lhe causará sustos e você pulará da poltrona. E isso o mestre do Terror Stephen King proporciona, em momentos exorbitantes na sua literatura, mas nas telonas é raramente captada tornando-se apenas um grande espetáculo.


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