Love Cinema!

19/08/2019
- Por Victor Luis

Love Cinema: Era Uma Vez... em Hollywood

O fato de que Quentin Tarantino é um fã entusiasta de cinema e da cultura pop e seu trabalho é ultra referenciado tornou-se um eufemismo que ninguém ousaria questionar. Portanto, nada mais duvidoso que um projeto em que o cineasta se dedica em contar uma história no universo de Hollywood repleta de anedotas e assim criando sua própria mitologia. Este resultado não está no ponto de encontro, na medida em que Tarantino, certamente, multiplica as piscadelas como sempre fez, chegando a transformar algumas passagens em uma espécie de túnel do tempo repleto de referências, mas não revela nada de novo em uma grande máquina de sonhos, nem no período em que localiza sua história, ou seja, no final dos anos 60.

O personagem principal é um ator fictício, interpretado por Leonardo DiCaprio, também conhecido como Rick Dalton, ex-astro de uma série de TV, cuja carreira agora se limita a pequenos papéis de vilões. Tarantino vê nele seu alter ego, seria assim o de um artista sem futuro? Com a sua declaração de que sua filmografia se limitará a apenas 10 filmes. Talvez ele seja mais reconhecível no par que Rick forma com seu dublê, Cliff Booth, interpretado por Brad Pitt. Essa associação configura a dupla desses grandes astros contemporâneos que sempre tentam se renovar. Seja como for, o espectador determina a interpretação dessa complementaridade simbólica entre os dois homens, para compreender o alcance da abordagem fílmica, e assim, ver um longa-metragem longe de ser tão divertido quanto a imagem encantada que ele quer atingir naquele momento. É o mesmo que enxergar a

Sharon Tate interpretada pela Margot Robbie e não se encantar com seus momentos de puro deleite cinéfilo e se aventurar nessa grande fábula.

De fato, Era uma vez em Hollywood é um filme marcado por um tom inerentemente ilusório e com alguns toques de humor negro e violência (mais branda do que o normal). E acima de tudo uma trilha sonora lúdica, que são as marcas do diretor, não são suficientes para esconder o caráter desencantado que emerge da escrita em um cenário megalomaníaco. E, no entanto, não é fácil ver o discurso que Tarantino procura manter. A construção dos mais louca que ele privilegiou por sua história, parece continuamente devolvida para compensar essa grade de leitura enfática que ele assume e repleta de recursos de metalinguagem. Assim, as cenas se sucedem, sem necessariamente que elas avancem o enredo, de forma arrastada para alguns espectadores que esperam a ação acontecer.

Em suma, o objetivo de Tarantino é bastante pessoal e até uma atitude madura, porque ele parece querer admitir que a melancolia de seus personagens vem de si só, conseguindo fazer sua imersão em uma época para a qual ele manifesta uma grande admiração e que fez parte da sua infância, a Era de Ouro de Hollywood. E, portanto, ele tenha descoberto que tudo não era cor de rosa na Hollywood dos seus sonhos.


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