Love Cinema!

12/12/2019
- Por Victor Luis

Love Cinema: Amor Fluido

Mediante aos cancelamentos e apoios financeiros a filmes com temáticas LGBT pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), sob vista grossa do atual presidente da república Jair Bolsonaro, e, assim, assumindo um conservadorismo por parte do governo e evitando lançamentos de projetos vindouros, produções cinematográficas com essa temática tiveram suas formas de resistências, principalmente no Nordeste, a exemplo de Greta (2019) dirigido por Armando Praça no Ceará e estrelado por Marco Nanini e Amor Fluido dirigido e roteirizado por André Zaady, pré-lançado ontem, 11 de dezembro, no Cinema Vitória em Aracaju.

Num primeiro plano de Amor Fluido temos imagens áreas do rio Sergipe que nos leva diretamente a cidade de Aracaju e somos apresentados aos personagens Duda (Lázaro Silva), jovem e homossexual assumido que faz compras no comércio popular do centro da cidade e Hugo (Tinho Torquato) adulto e desocupado em sua casa, espreguiçado em sua cama, e começa a trocar mensagens afetuosas com o seu amante, Duda. Neste primeiro contato, entendemos a relação homoafetiva desses personagens, que é correspondida e respondida em sequência na cama diante a cena de sexo, onde o diretor explora ao máximo a nudez desses corpos masculinos opostos pela idade e por suas expressões. Porém, a mentira deixa suas marcas, uma marca exposta em Hugo o que faz Duda desconfiar de sua lealdade, mas quando questionado, diz que seu amor por Duda é único, que não há outra pessoa na vida dele, e, assim, claramente chegamos ao título e tema central do filme, o amor fluido, nada menos sobre as relações contemporâneas, líquida prevista pelo sociólogo polonês Zygmunt Baumanam, uma fluidez dos relacionamentos, onde a desconfiança e a traição se fazem presentes.

É nesse tipo de relação proposta pelo filme que conhecemos Scarlet (Denni Ellin), uma mulher decidida, sensual e cheia de personalidade, amante de Hugo e declaradamente apaixonada por ele e que o leva à loucura na cama. O filme explora ainda mais a relação deste triângulo amoroso que se torna peça chave da trama, e não obstante a isso, é também de uma obra pessoal, o roteiro de André Zaady aborda temas vivenciados por ele durante a sua infância no interior da Bahia, até a chegada em Sergipe, temas como o falecimento do seu pai, o abandono de sua mãe e a pedofilia são representados por flashbacks em preto e branco intercalados as memórias de Hugo, e torna o personagem seu principal alter ego.

Enquanto universo LGBTQ+, o diretor explora através de Duda que faz performances em uma casa noturna, destinada a apresentações de Drag Queens, o La Luna. Duda em sua performance tem algo de Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones) em Chicago (2002, Rob Marshall), não só pelo figurino que soa bastante familiar, mas como é executada. Além de conhecermos os amigos de Duda, Drag Queens que servem como alívio cômico verbalizado por suas gírias.

Amor Fluido é um filme legitimamente aracajuano e independente, que aborda temas importantes a serem debatidos, é um projeto em parceria com a Livre Filmes Brasil e a CS Comunicação, e apoiado pela Embaixada das Artes e financiado carinhosamente por amigos do Zaady. Em um ano que a cultura, e, principalmente, o Cinema passa por uma desastrosa gestão no setor, o recente cinema nacional vê espaço para não se deixar abatido, e sim cada vez mais fortalecido e resistente.


Fale com o autor através das mídias sociais dele:

@_victo

Facebook: https://www.facebook.com/victo...

E-mail: littoh_@hotmail.com

O texto reflete a opinião do autor, e é de inteira responsabilidade do mesmo.



Tags

compartilhe

Post relacionados

Instagram